MUSICA E BOEMIA: A AUTOBIOGRAFIA PERDIDA...CEARENSE
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No decorrer de quase todo o ano de 1943, de fevereiro a outubro, os leitores da revista literária “Vamos ler!” acompanharam com entusiasmo nada menos que 31 textos autobiográficos de um dos poetas, compositores e cantores mais populares e respeitados do país em todos os tempos. Catulo da Paixão Cearense tinha, então, 79 anos, quando escreveu suas memória. Depois disso, ele viveu apenas mais três anos, e, mesmo assim, escrevia com vitalidade e humor invejáveis. Com esse material, o autor de clássicos como “Luar do sertão”, “Ontem, ao luar”, “Cabocla di Caxangá” e “Flor amorosa” mostrou outro talento singular, pouco conhecido: o de exímio prosador. Com memória prodigiosa, Catulo construiu um rico painel da vida musical, boêmia, poética, cultural e de comportamento d o Rio de Janeiro nas duas últimas décadas do século XIX e nas duas seguintes.
Agora, a Editora Noir resgata esta preciosidade de valor histórico e artístico inestimável, em uma bem cuidada edição que chega às livrarias no começo de novembro. "Todos esse rico documento da história musical brasileira parecia condenado ao esquecimento", explica o jornalista Gonçalo Junior, que organizou o volume e assina a apresentação. "Por mais de 70 anos, essa pequena obra-prima ficou relegada ao limbo das raríssimas coleções de exemplares que restaram de Vamos ler!” Segundo ele, tudo foi cuidadosamente recuperado para que as novas gerações do século XXI descubram a grandiosidade da obra e a importância de Catulo.
O material vasto com as lembranças do artista jamais foi averiguado com a merecida atenção. “O poeta e seresteiro está mais vivo que nunca, nestas narrativas divertidas, cheias de delicadeza e ternura, em que os possíveis exageros cometidos por ele – não apenas os incontáveis elogios a si mesmo – não passam de uma estratégia de narrador ou mesmo de uma licença poética para ele cobrir de generosidade todas as pessoas que cruzaram seu caminho”, acrescenta o pesquisador, que é biógrafo dos compositores Vadico (parceiro de Noel Rosa) e Assis Valente e do cantor brega Evaldo Braga.
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