NIETZSCHE E O DEMONIO DO MEIO-DIA
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OBJETO
DE DESEJO
Em 5 de janeiro de 1937, em Neuilly, Jean-Baptiste Botul pega em seu táxi uma jovem cliente menor que lhe ordena: Cours Désir. Endereço equívoco perfeito! A noite que vão passar juntos em paris valerá a Botul comparecer diante do tribunal profissional dos taxistas parisienses. Em sua defesa, Botul se compara a Nietzsche, vítima do demônio do meio-dia, trágico apaixonado por Lou Andréas-Salomé. O relato que faz do encontro atesta que o Super-homem não vale muita coisa diante da Super-mulher. Pois Lou, no termos de Botul, era mais que uma mulher. Parente de Lilith e de Lolita, ela encarna um demônio mutante, moderno, o da sexualidade fêmea. Milagrosamente transcrito, este genial discurso de defesa confirma que Botul, esse desconhecido pensador, foi o maior filósofo de tradição oral do século XX.
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