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OBJETO
DE DESEJO
O PRIMEIRO HAMLET (1603) é a peça A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca tal como teria sido encenada pela primeira vez. Embora seja um dos textos mais analisados de toda a literatura ocidental, um fato básico costuma ser ignorado: a existência de três Hamlets – a saber, o Primeiro In-quarto (Q1) (1603), o Segundo In-quarto (Q2) (1604-5) e o Fólio (F) (1623).
As diferenças mais óbvias entre as três versões dizem respeito à extensão, estrutura, caracterização e nomes dos personagens, e às rubricas. Em termos de extensão, Q1 é a versão mais curta; Q2, por seu turno, é um pouco mais longo do que F. Quanto à estrutura, a principal diferença é a presença de uma cena entre Horácio e Gertred exclusiva a Q1, a Cena 15, crucial para a caracterização da Rainha, que aqui se posiciona ao lado do filho, contra o marido. Com menos falas em Q1 do que em Q2 ou F, o Príncipe se mostra menos reflexivo e mais focado na vingança do que é o caso nas versões mais longas.
São também evidentes as diferenças dos nomes dos personagens: por exemplo, Polônio, em Q1, chama-se Corambis e Gertrudes é Gertred. Outra particularidade de Q1 são as rubricas, ais “teatrais” do que as que constam do Q2 ou do F. As diferenças entre Q1, Q2 e F não devem ser vistas como acidentais; antes, resultam de impulsos criativos que visam à construção de textos dramáticos com funções específicas. As três versões de Hamlet têm autoridade porque foram publicadas e “consumidas” no início do século XVII, porque serviram de base para o trabalho de atores e foram recebidas por plateias em montagens realizadas no período Elisabetano-Jaimesco.
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