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OBJETO
DE DESEJO
Rabênu Bachiá é o primeiro filósofo do judaísmo hispânico. Com o declínio das comunidades judaicas da Babilônia, no século XI, começa a brilhar a luz dos sábios da Espanha judaica, que ocuparam um lugar tão importante em nossa cultura.
Praticamente, não conhecemos os dados biográficos de Rabênu Bachiá. Do tradutor desta obra (o original foi escrito em árabe, que era a língua falada pelo povo), Iehuda ibn Tibon, aprendemos que seu nome era Rabênu ("nosso Mestre") Bachiá ben Iossef Ibn Pacuda, um juiz que vivia na cidade de Saragossa, a mesma do poeta Ibn Gabirol. Seu livro foi provavelmente divulgado por volta do ano 1040.
Em contraste com a falta de dados sobre sua vida, podemos conhecer seu mundo interior através desta vasta obra, aqui apresentada. Sua completa devoção a Deus e pureza interna é notável! Não é à toa que, de todos os filósofos judeus, justamente ele recebeu a alcunha de "Chassid" (devoto). É claro e transparente também o grande amor a Deus contido em seu coração e que extravasa em muitos trechos de seu livro. As dificuldades e sofrimentos que experimentou na vida são aparentes. Em suas palavras, muitas vezes sentimos suas lágrimas ainda quentes, jorrando de um coração alquebrantado, que encontra apoio e proteção na Graça Divina.
Embora Rabênu Bachiá tenha escrito muito sobre a beleza da Criação e o esplendor que envolve a natureza, podemos notar as feridas de sua alma, que geme como uma pomba e suplica perante Deus. Desta alma ouvimos também a frase citada em nome de um devoto: "Se me queimares no fogo, somente aumentarei meu amor por Ti" (Décimo Portal, "Amar a Deus").
Possivelmente, esta tendência em seus escritos originou-se nas dificuldades de emigração do início de estabelecimento judaico na nova diáspora da península ibérica, ou talvez no sofrimento particular do autor.
Sua cultura e seu domínio das fontes dos Sábios do Talmud (tradição judaica) são muito abrangentes. Nota-se sua tendência para o pensamento lógico e filosófico, característicos de sua época. Pode-se notar também seu domínio sobre muitos campos da ciência, como a geometria de Euclides e a filosofia neoplatônica. Rabênu Bachiá é o primeiro a se basear nas palavras dos sábios de outros povos, citando-os quando julga suas palavras compatíveis com o espírito do judaísmo.
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