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OBJETO
DE DESEJO
“‘O inconsciente da vida anímica é o infantil’ (Freud), um infantil que não é o passado, mas sim o que não passa, presente imutável, sempre atual, sempre em ato, quer se trate de amar (/odiar) ou empreender.
Sustentar tanto a originalidade de cada vida quanto a universalidade de seus elementos é um dos paradoxos centrais da psicanálise.
Por não ser atemporal, resta à psicanálise ser intempestiva.
Se há uma qualidade necessária para ser psicanalista, é certamente a da plasticidade psíquica, a mesma que permite viajar psiquicamente a lugares desconhecidos, ser de todas as cores e de todos os sexos, à altura das loucuras propostas pela transferência: um dia, Deus ou seu profeta; no outro, animal doméstico.
O inconsciente é atemporal, mas a psicanálise não. Uma de suas condições de existência é precisamente a possibilidade de pensar. Ninguém pode prever o futuro da psicanálise. As nuvens ameaçadoras têm origens diversas, desde a destruição do par indivíduo-democracia, o reinado dos totalitarismos político e religioso, até o regime dominante da rapidez e da rentabilidade, que não poupa o espaço da psicologia. Sem contar, ainda, que a psicanálise tem um lado que representa ‘um pássaro do mau agouro’: em vez de só falar de angústia, sofrimento, autodestruição, morte, desespero, sexualidade deletéria, por que não ‘deixar para lá’ e falar de vida bem-sucedida e de amor-próprio?”
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