Por:
R$ 49,90
Em até 3x sem juros
Adicionar
à sacola
OBJETO
DE DESEJO
O movimento pendular que a moral literária percorre faz com que um autor morto há três séculos se apresente menos recatado do que a maioria dos criadores contemporâneos. O fenômeno se dá um tanto pela opressão de instituições vetustas, como a Igreja e os Tribunais, e outro tanto por modismos e opções estéticas. O certo é que ninguém desbancou Sade, por exemplo, na habilidade de expor os escândalos do prazer ou Petrônio em desnudar a vida das ruas na Antiguidade.
Utilizar a matéria-prima criada por esses mestres é a tentação a que o autor não resistiu. O clássico Os 120 dias de Sodoma, que serve de base à presente novela, é um livro maldito. Esteve proibido durante séculos. Sua trama revela uma orgia, com o prazo estipulado pelo título, em que a elite da nobreza, do clero e das forças armadas exercem a libertinagem mais desbragada.
O ponto de vista para a intervenção de Flávio Braga é bastante atual. Quem exerceu a segurança de semelhante evento? O personagem narrador assume essa tarefa e conta aos leitores estarrecidos o horror daqueles três meses num castelo próximo à fronteira da França.
“O senhor conhece a casa? Seu rosto não me é estranho. Costumo me orgulhar de conhecer todos os ratos de bordel de Paris. Pelo menos os que possuem títulos de nobreza. O senhor é marquês, correto? Mathieu lhe encaminhou? Ou foram os “amigos”? Entendi que lhe interessa ouvir. Como eles. Ouvir talvez para excitar-se, não é certo? Ouvir para escrever? Existem interessados nas infâmias que se praticam entre essas paredes? Não duvido de mais nada. Após tantos anos de profissão assisti de tudo. Tanto que agora sou solicitada a contar.”
Leia mais…