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OBJETO
DE DESEJO
Como a casa imaginária de Poe, o Solar de Monjope desapareceu em 1973, menos de meio século após sua edificação, levando tristemente consigo toda a literatura que José Marianno escrevera com suas paredes. Naquele ano falecia Dona Violeta Siciliano Carneiro da Cunha. Filha e irmã de condes, Dona Violeta, que vivera as três últimas décadas recolhida em um dos torreões do Solar fora a última moradora do palácio a viver até o final na própria casa...”
Assim tem início Solar de Monjope, sobre a desaparecida construção palaciana no Jardim Botânico que rivalizava com o Parque Lage. Idealizado por Sylvia Hamilton, com texto de Julio Bandeira, fotos de José de Paula Machado e pesquisa genealógica do Prof. Carlos Barata, esta edição bilíngüe português/inglês chega às livrarias com o selo de qualidade Reler, o que significa textos apurados, farto material fotográfico e design gráfico impecável.
A iniciativa nasceu da obstinação de Sylvia Hamilton, neta de José Marianno, em resgatar a memória do Solar. Sua demolição, em 1973, encerra uma disputa pessoal e ideológica de quase meio século entre neocolonialismo e modernismo. Ela envolveu desde a Missão Artística Francesa de 1816, chefiada por Lebreton, até a construção do Ministério de Educação e Saúde, baseada num projeto que envolveu Le Corbusier, Lucio Costa e um grupo de arquitetos modernistas.
A perda do Solar no início da década de 1970 significou o desaparecimento de um capítulo precioso da memória arquitetônica, artística e paisagística do Rio de Janeiro, e isso permitiu que se apagasse sistematicamente toda uma parte da história do século XX.
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