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OBJETO
DE DESEJO
Sopro palestinegro, de Fred Moten, é um breve e contundente ensaio que articula palestinidade e pretitude para pensar as relações entre colonialismo, genocídio e Estado. Em poucas páginas, Moten desenvolve uma reflexão filosófica que ultrapassa a denúncia da violência colonial para imaginar formas de existência, solidariedade e resistência para além do Estado-nação. Embora possa ser lido de forma totalmente independente, o texto nasce do diálogo com O direito de mutilar, obra fundamental de Jasbir Puar, da qual retoma algumas questões centrais para levá-las a novos desdobramentos teóricos e políticos.
Em vez de apenas descrever as violências do Estado colonial, ele interroga a própria forma-Estado como estrutura inseparável do colonialismo e do genocídio. O autor propõe pensar o entrelaçamento entre a experiência palestina e a experiência negra não como analogia ou comparação, mas como um campo compartilhado de reflexão e solidariedade que desafia as categorias tradicionais da política moderna.
Ao cruzar os debates sobre Palestina e diáspora africana, Moten questiona oposições consolidadas — liberdade e escravidão, soberania e ocupação, Estado e resistência — para imaginar formas de vida e de organização política que ultrapassem os limites do Estado-nação. É nesse horizonte que emerge a noção de “sopro palestinegro”: uma figura conceitual que nomeia uma afinidade política e filosófica capaz de sustentar práticas de resistência para além das formas estatais de poder
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