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OBJETO
DE DESEJO
Este volume das peças de Bertolt Brecht, o segundo da série de oito que os Livros Cotovia estão a publicar, abarca o período que vai de meados dos anos 20 até ao começo dos anos 30 e inclui, curiosamente, a peça de teatro mais representada do revolucionário dramaturgo alemão («A ópera dos três vinténs»), a menos representada («A vida de Eduardo II de Inglaterra» —que é também a estreia de Brecht como encenador), e as primeiras incursões no teatro musical e na ópera, que inauguram a notável, mas breve, colaboração com Kurt Weil. Organizado cronologicamente, como sucede com todos os volumes desta série, Teatro 2 publica traduções novas a par de traduções já existentes, todas elas sob a orientação de Vera San Payo de Lemos, que assina também a introdução do volume.
Nessa sua primeira encenação, em 1924, Bertolt Brecht ensaia a prática e a teoria do teatro épico, isto é, a construção de efeitos de estranhamento que fomentem uma atitude crítica e interveniente por parte do espectador. Interrompendo o fluir da acção e, assim, a concentração do espectador no desfecho, recorda-se-lhe que a arte não é a vida e sublinha-se a teatralidade e o artifício da representação. Notável, indiscutivelmente, é continuarmos hoje a considerar modernos, quando não arrojados, certos efeitos a que Brecht já então recorria: projectores à vista nas varas, falas ao público acompanhadas de mudança de luz, actores presentes em cena a aguardar o momento de desempenhar o seu papel, cenário e adereços reduzidos a elementos significativos e funcionais, figurinos depurados identificadores de grupos, estatutos e papéis sociais, mudanças de cena feitas à vista do público, etc.
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