VAZIO SEGUIDO DE A VIDA DA VIDA
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OBJETO
DE DESEJO
«(O enigma da arte estará nisso: fazer do medo desconhecido— melhor: do medo do desconhecido—o seu motivo secretamente inspirador: sons e imagens, se posso dizê-lo outra vez, que nos assombram. A arte não passou, não passa “da idade do medo”. Mas, precisamente por isso, ela tem algo a ensinar aos homens que visivelmente não sabem o que fazer com o medo (com o medo primordial) que os domina e os divide em dominados e dominantes.)»
«Terá sido também lá que a luz começou a escavar, a concavar a matéria.
E como a forma da luz é o vazio, a forma mais profunda dessa escavação é o olho. O olho é o vazio escavado pela própria luz na matéria. É a escavação cega que a luz deu à luz.
Sem esse vazio, a matéria não distinguiria a direcção e a fonte de luz; sem ele, não haveria imagem—mas somente o claro e o escuro, a noite e o dia. E assim apenas, talvez, o pressentimento (o pré-sentimento) do medo. Desse medo tão arcaico do escuro.
Esse vazio não é portanto o nada—de resto, o vazio nunca foi confundido com o nada na história da física (nem, num outro sentido, na história da metafísica). Ele é o que resta de material quando se procura anular toda a matéria (toda a materialidade objectiva). O vazio é a matéria inanulável—aquilo a que, na extremidade daquela história, se deu o nome de espaço-tempo (e que Kant pensou como condições—formas vazias ou puras—da sensibilidade). Ora, escavar umvazio luminoso namatéria é abri-la a umespaço-tempo outro: distinto do espaço que ocupa essa matéria, e diferente do tempo próprio dessa mesma matéria (do tempo do seu metabolismo, por exemplo).»
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