VULNERABILIDADE DO TERROTORIO E...AMAZONAS
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OBJETO
DE DESEJO
Desde os tempos coloniais até os dias de hoje, nos mares ou nos rios, os piratas agem como bandidos das águas onde a vulnerabilidade do espaço provê condições de sua atuação. O poder das ausências permite a presença de piratas na Amazônia. O caboclo-pirata amazônida se configura como uma expressão do território periférico brasileiro, acaba por revelar as contradições, a pobreza e as desigualdades da região. Esses sujeitos do crime atuam no maior rio do mundo onde a vida bandida é um instrumento de sobrevivência e sua capacidade de realizar a leitura geográfica da região é uma ferramenta guerra.
Essa obra visa discutir a vulnerabilidade do território a partir das ações dos piratas do rio Solimões no Amazonas. A área analisada é o trecho entre os maiores centros urbanos dessa região, as cidades de Tefé e Coari. Inicialmente, propõe-se uma classificação dos piratas dos rios baseada no uso do território, nas escalas e estratégias de atuação, bem como nos equipamentos utilizados em suas investidas. Posteriormente, discute-se as ações da pirataria fluvial no Amazonas a partir da produção de lugares do crime construídos por meio das experiências e habilidades piratas adquiridas no seu espaço vivido enquanto caboclos e ribeirinhos: as lugaridades amazônicas.
Efetua-se assim, uma leitura da fragilidade do espaço e da vulnerabilidade do território provenientes da pouca eficiência ou mesmo ausência de elementos espaciais na região. Esse cenário de penúria e carência exibe uma territorialização incompleta das instituições públicas e das ações da sociedade. Desta forma, esse livro auxilia na compreensão do uso marginal do território brasileiro na Amazônia onde o conhecimento das tradições e os saberes da floresta municiam as ações dos piratas fluviais nessa fração da formação socioespacial brasileira.
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