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OBJETO
DE DESEJO
A obra segue as diversas trilhas do samba de São Paulo, apontando seus nomes e acontecimentos fundamentais desde o início do século XX até o presente, do remoto samba-rural ao samba-de-raiz de hoje em dia, passando por diversas manifestações como a marcha-sambada, a batucada de engraxates, o samba-rock e as experiências da chamada Vanguarda Paulistana.
O ponto de partida é a própria dificuldade em encontrar uma definição para o “samba” produzido no Estado de São Paulo, haja vista a grande diferença de características entre as diversas versões que coexistiam no início. O termo samba-rural foi uma tentativa frustrada de reunir essa diversidade em uma única expressão. Em São Paulo, a palavra “samba” só ganhou sentido comum, entendido em qualquer outra parte do Estado, quando se falava no samba-de-bumbo das popularíssimas festas de Pirapora Bom Jesus. O termo nasceu da inclusão do bumbo nas cantorias profanas dos devotos, as quais costumavam ter apenas o acompanhamento de violas, cavaquinhos, chocalhos e batidas de mãos e pés. Desprezado por grande parte dos estudiosos, o samba-de-bumbo deixou pouquíssimos registros.
Antes do seu repentino crescimento, entre o final do século XIX e o início do seguinte, a cidade de São Paulo, embora capital do Estado, ainda não centralizava a cultura paulista e estava longe de ser a cidade cosmopolita tal qual a conhecemos hoje. Ao contrário, tinha fortes características de uma cidade interiorana, com uma certa resistência da elite em aceitar influências dos imigrantes. Musicalmente, prevalecia em São Paulo uma manifestação trazida pelos portugueses abastados: a seresta, cultivada, sobretudo, pelos estudantes de direito do Largo do São Francisco. Nas camadas mais pobres da sociedade, por outro lado, os negros cultivavam suas próprias formas de expressão musical, em geral ligadas a uma religiosidade sincrética, que misturava ritmos dos orixás africanos aos de santos do cânone cristão.
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