O DIVÃ E A BÚSSOLA: A PSICANÁLISE E...ESTRANGEIRIDADE
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OBJETO
DE DESEJO
Podemos dizer que a estrangeiridade é mais do que simples contingência histórica para a psicanálise. É seu traço constitutivo, irredutível, ainda que por vezes esquecido. A psicanálise nasceu estrangeira e só encontra sua legitimidade quando preserva essa condição.
É essa constatação que mobiliza os textos interdisciplinares deste livro. De saída, Horenstein recorre a um neologismo russo – ostranenie – que já em sua grafia materializa, para nós, aquilo que será enunciado: o estranhamento como princípio. Tornar estranho o familiar, escutar a própria língua como um estrangeiro, ocupar na cidade o lugar do meteco grego, nem dentro nem fora, nunca inteiramente assimilado: tais são os objetivos da psicanálise, que ameaçam se perder quando ela se normatiza.
O livro percorre territórios inesperados para um ensaio psicanalítico, como a tabela periódica de Mendeleiev e seus espaços vazios, a arte postal de Eugenio Dittborn, as teias colaborativas de Tomás Saraceno, o terroir das vinícolas, a geopolítica do saber analítico. Em cada um desses desvios, o argumento se reitera: a psicanálise só preserva sua força quando se reconhece como corpo estranho, marginal e inassimilável ao lugar onde é praticada; uma tese especialmente cara para nós, latino-americanos.
Escrito entre duas viagens, O divã e a bússola interessa não apenas a quem pratica ou deseja praticar a psicanálise, mas principalmente ao leitor que percebe em si mesmo algo da condição estrangeira.
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