SOBRE A MISÉRIA DO MEIO ESTUDANTIL
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OBJETO
DE DESEJO
Em novembro de 1966, um pequeno grupo de estudantes franceses realizou uma ação improvável: ao ganhar a direção da associação estudantil da Universidade de Estrasburgo, com seus próprios recursos, produziu e distribuiu um panfleto que atacava a universidade, as organizações estudantis, a burocracia política e as ilusões da rebeldia institucionalizada. O resultado foi Sobre a miséria do meio estudantil, um dos textos mais explosivos do século XX e uma das faíscas que antecederam as revoltas de Maio de 1968.
Escrito em colaboração com a Internacional Situacionista, grupo que reuniu nomes como Guy Debord, Constant e Asger Jorn, o panfleto propõe uma tese central, que permanece desconfortavelmente atual: a universidade é um espaço de formação, mas também é uma engrenagem de produção de especialistas, gestores e futuros administradores da ordem. Assim, a crítica situacionista se dirigia às formas de adaptação, conformismo e integração que transformam a revolta em espetáculo.
Longe de ser um documento datado, este texto atravessou décadas influenciando debates sobre a mercantilização do ensino, o produtivismo acadêmico, a profissionalização da política e a captura institucional e a domesticação da crítica.
Esta edição brasileira reúne o texto integral acompanhado de uma extensa introdução histórica, notas explicativas e contextualizadas, de juan rodrigues, prefácio e posfácio inéditos que criam pontes entre a experiência francesa e a trajetória das universidades e lutas estudantis no Brasil, respectivamente de Douglas Rodrigues Barros e Erick Corrêa.
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